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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Theoi Ktesioi (1)

Por alguns momentos já mostrei aqui no blog meu descontentamento quando percebo em alguns adeptos do Helenismo a redução de toda a religião e do culto em torno dos festivais. Os festivais são momentos de ápice, são uma espécie de encontro marcado, mas, apesar de sua centralidade e importância, não podem expressar toda a riqueza da experiência religiosa helênica. Há uma série de outros aspectos e facetas do culto que o devoto deve investir, a exemplo da atenção aos daemons do lugar onde vive, o culto dos deuses domésticos, bem como aos heróis e ancestrais, e outras  instâncias mais (algumas deveras problemáticas para os praticantes modernos) que não cabem ser mencionadas nesse pequeno texto, que pretende mais ser um retomar as atividades do blog do que propriamente dissertar. 

Assim, resolvo postar aqui algumas fotos de um ponto que venho investindo muito ultimamente que é o culto aos theoi ktesioi, os deuses protetores da casa, ou deuses domésticos, como queiram. As imagens são alguns pequenos altares e monumentos que no espaço da minha casa venho construindo para tais deuses (Zeus, Héstia, Hécate, Hermes, Hérakles, e os gêmeos Castor e Polideuces) para o culto especialmente nesse aspecto. 



Hécate e Hermes são os deuses condutores, senhor e senhora dos caminhos. Traducionalmente sues monumentos domésticos são apresentados no jardim da frente da casa. Como minha casa não dispõe desse espaço, resolvi trazê-los para o jardim dos fundos, depositando seus monumentos na parede onde tenho algumas plantas e onde estou erguendo uma herma. Para a entrada da casa estou preparando uma pequena tábula com os nomes de ambos.

Aqui a herma que estou iniciando a erguer e uma pequena oferta a Hécate.


Aqui um pequeno memorial para Hérakles que venho dispondo no corredor frente à porta principal de minha casa. Os dizeres "Aqui, Hérakles triunfante e glorioso reina. Aqui o mal não é permitido entrar" era comum como forma de proteção e foi encontrada em vestígios de muitas casas atenienses, em geral atrás das portas.

E por fim, a chama de Héstia que fica no altar central do lar. Além dessa também há o altar para Zeus e Héstia na cozinha, o qual pretendo mostrar numa próxima ocasião.


Eirene theoi.
Th!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O Vinho de Héstia

A receita que seguirá agora é bem simples, porém repleta de significados, afeto e magia que dependerão de quem a fará e quem partilhará dela. Seu objetivo é servir um pouco do amor e demais sentimentos que se deseje exprimir a quem beberá com você. É antes de tudo um gesto de retribuição pelo amor e carinho dispensado a nós. Todos podem fazê-la mesmo aqueles que não têm muita prática na cozinha , desde que estejam dispostos a dividirem com os outros o que têm de melhor: o calor humano.
O VINHO DE HÉSTIA

Para fazer o vinho será preciso os seguintes ingredientes:
• Vinho (eu costumo usar os vinhos secos, mas pode ser qualquer vinho que você tenha, ou goste);
• Cravos;
• Canela (pode-se usar em pó, mas é preferível uma vareta por ser mais simples removê-la);
• Erva-doce;
• E demais ervas aromáticas que você desejar;

Antes de começar a preparar o vinho tente criar uma atmosfera que seja propícia ao seu desejo; reduza a quantidade de luzes, acenda um incenso (olíbano é sempre bom), ponha uma música que te faça sentir confortável, relaxado. Tudo isso é para criar um ar mais acolhedor e, evidentemente, pode ser modificado de modo que você possa utilizar o que tem em casa. Tome banho e vista roupas limpas (se possível brancas, esta é a cor da deusa). Acenda uma vela branca e eleve um hino à deusa. O Hino XXIV, de Homero é uma boa escolha:

"Héstia, tu que cuidas da sagrada casa do Senhor Apolo,
O que atira longe ao bondoso Pytho,
Com suave óleo escorrendo sempre de tuas madeixas,
Venha agora a esta casa, venha,
Tendo uma só mente com o Zeus onisciente
Venha para perto,
E, sobretudo conceda suas graças sobre a minha canção."

Após isso faça uma prece à Dyonisio [principalmente à Dyonisio Charidotes , fazendo-lhe referência, em uma prece pessoal]

"Começo a cantar ao Dionísio coroado de hera, o deus do alto grito, esplêndido filho de Zeus e da gloriosa Semele. As ninfas de longos cabelos o receberam em seus âmagos do senhor seu pai e o criaram e o nutriram cuidadosamente no pequeno vale isolado de Nysa, onde pelo desejo de seu pai ele cresceu em uma caverna de doce aroma, sendo considerado e estimado entre os imortais. Mas quando as deusas os trouxeram para cima, um deus freqüentemente homenageado, então ele começou a perambular continuamente entre as os vales cobertos de árvores, densamente coroado de hera e louro. E as Ninfas seguiram atrás dele com ele como o líder delas, e a ilimitada floresta foi preenchida com os gritos deles. E então te saúdo, Dionísio, deus das abundantes aglomerações! Conceda que possamos vir novamente nos regozijar com esta estação, e com todas as estações adiante por mais um ano."

É de fundamental importância que durante todo o trabalho você esteja com o coração e todo seu ser preenchido pelos sentimentos bons que você deseja compartilhar com seus amigos. No fogão coloque uma panela (pode ser qualquer panela, com exceção às panelas de ferro).Dentro da panela despeje o vinho e vá aos poucos colocando as ervas, uma a uma. As ervas de cor verde devem ser postas por último. Enquanto coloca vá mexendo a mistura com uma colher de madeira.Não se deve deixar de mexer. Após cinco ou sete minutos no máximo o vinho está pronto. Coe tudo para retirar a parte sólida das ervas e ponha nos copos para servir ou na garrafa para outras ocasiões. Agradeça a ajuda da deusa e verta para ela uma libação do mesmo vinho , ou de leite. A primeira vez que o vinho for usado, uma parte inicial desse mesmo vinho deve ser dada a ela (um pouco apenas). Pessoalmente , eu prefiro servir o vinho assim que foi terminado de ser feito. Nesse momento sente-se melhor o gosto das ervas, um sabor delicado, apurado. Sente-se o calor da deusa para com os homens no calor do próprio vinho. Os sentimentos estão latentes e tornam-se potencializados. Espero que o vinho seja do agrado de todos, pois em minha prática de magia aprendi que as coisas boas devem ser repassadas aos outros , formando um círculo de boas ações, algo que pode mudar o mundo. Que todos sejam felizes pela chama do fogo ancestral. “Ut dictum est, sic statim Fiat”!