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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Verdade e divergência: sobre um certo mal-estar nos helenismos

Escrevo esse texto muito motivado por uma questão levantada pelo Odir Fontoura ao questionar, de maneira curiosa, como diferentes grupos interpretam o símbolo da tocha olímpica contemporânea e a tentativa de algumas pessoas de apagá-la. Sendo assim, aproveito esse texto para dois propósitos, a primeira oferecer minha posição enquanto membro de um grupo de pessoas devotadas ao Hellenismos e que é, em sua maior parte, fortemente influenciadas por uma abordagem reconstrucionista sobre a religião. Meu segundo propósito é esboçar uma ideia que venho tentando construir de maneira reflexiva com vistas a entender os diferentes sentidos que grupos atribuem à sua prática devocional (pessoal, coletiva ou institucional) vinculada aos deuses e deusas "também" cultuados pela civilização helênica. 

Ao dizer que minha perspectiva é uma perspectiva reconstrucionista gostaria de deixar claro que, longe da posição enviesada e pouco crível, reconstrucionismo não diz respeito a uma hipervalorização dos fundamentos teóricos, ou do estudo de uma religião em detrimento da prática. Isso não só é reducionista como ignora que toda experiência religiosa é uma experiência de estudo e aprendizado contínuas, e que o estudo é uma atividade tão “prática” (retomando a acepção etimológica da ideia de práxis), quanto a prática é uma modalidade de estudo. Enfim, ambas constituem a experiência religiosa como um espaço de reflexão e compreensão da relação com o sagrado e com os espaços da interioridade e da exterioridade através dos quais ecoa o ser de cada grupo ou sujeito.

Reconstrucionismo é uma perspectiva sobre a experiência religiosa que busca ancorar o exercício devocional cotidiano em bases que sejam tão próximas quanto aquilo que é possível saber sobre como os ritos eram compreendidos e executados, e a partir daí estabelecer possibilidades adaptativas condizentes com o plano geral desses sistemas de crença. O reconstrucionismo não é assim uma perspectiva homogênea e estática, ao contrário, é múltipla, plural e dinâmica. É uma forma pragmática de exegese, uma contínua provocação que pode ser (ainda que precariamente) sintetizada em questões como: em que medida é possível compreender como um determinado povo em um determinado lugar executava e entendia sua relação com o sagrado e com o divino? Como é possível traduzir a partir de uma escala de diferença temporal práticas que, mesmo quando transportadas para uma outra arena material e geográfica, buscam evidenciar um princípio de continuidade? 

Considerar os efeitos do tempo é uma forma de amadurecer e reconhecer as práticas que produzimos como práticas implicadas e situacionais. É recusar a autoridade barata e fácil que o tempo, quando tomado enquanto quantificador, ilusoriamente induz. De modo mais exato: não se trata de há quantos anos você está vivenciando determinada relação com os deuses e outras categorias de seres do panteão, mas sim a qualidade dessa relação a partir dos critérios que são estabelecidos. 

Entendo dessa maneira que, longe de um exercício arbitrário e violento de autoridade, o reconstrucionismo se diferencia de outras abordagens sobre a religião na medida em que reconhece os limites e as circunstâncias impostas pelo deslocamento temporal. Recorrer ao passado, às fontes e aos registros, não é, de modo algum, uma fuga. É uma forma de responsabilização pelo tipo de conhecimento que cada experiência produz. É uma forma reconhecer e dialogar com as divergências que são constitutivas e positivas da experiência com o sagrado conforme os grupos vivem e percebem-na cotidianamente. Já na antiguidade clássica as práticas eram plurais, de modo que é absolutamente equivocado falar em ortodoxia no contexto da religiosidade helênica. Contemporaneamente, por outro lado, acredito que exista algo como uma disputa por significados e por representação dentro da experiência religiosa, e as religiões politeístas não escapam desse movimento. Como efeito imediato, isso produz (ou visibiliza) a tentativa de construir regimes de autoridade que podem ser violentos na medida em que a divergência e a diferença tendem a ser tomadas como danosas. Mais que isso, em certas interações e debates que acompanho nas redes sociais, parece construir-se uma imagem na qual a diferença, mais que perigosa, é danosa e deve ser extirpada. 

Como responsável por tantos processos de formação da comunidade religiosa dentro do grupo do qual faço parte, o RHB, minha perspectiva é diametralmente oposta a essa visão. Entendo que há um valor intrínseco e potente na possibilidade como cada pessoa ou grupo vive e compreende a religião. Na forma como proponho exercícios às pessoas pelas quais sou responsável na formação, longe de respostas exatas (o que geralmente é reduzido à uma estreita concordância com quem avalia) me interessa mais que as experiências pelas quais essas pessoas passam sejam significativas e coerentes, e que essa coerência seja possível de ser refletida e ancorada com seus próprios quadros referenciais. Isso em suma é muito difícil, e inequivocamente cometemos tropeços. Mas reconhecer-se no erro é também um exercício de gentileza (sophrosýne) e uma possibilidade elaboração e excelência (areté).

As várias formas como o Helenismo é vivido hoje (reconstrucionista; nativista; estilo de vida; filosofia de vida; caminho; possibilidade dentro da bruxaria; panteão; tradição;) e a forma como isso se relaciona também a outras perspectivas ou arcabouços (reconstrucionista, nativista, bruxaria/feitiçaria, ecletismo, tradições familiares, entre outras) é um elemento configurador disso que eu, apropriando-me de um conceito elaborado pela antropóloga Anne-Marie Moll, gostaria de chamar como ‘política ontológica’. 

Ontologia se refere à forma como compreendemos o "ser". Nesses termos, uma política ontológica quer dizer a forma como negociamos e colocamos em debate ideias relativas ao que “é ser”. Mais que isso, ao pensar nas expressões e contextos a partir do qual o Helenismo emerge acredito que, apesar da palavra (ou referente) ser o mesmo, ‘helenismo’, ele “não é” a mesma coisa. O Helenismo da bruxaria tradicional não é o mesmo do helenismo do reconstrucionismo. Da mesma forma, por exemplo, a forma como alguém vinculada a esse primeiro grupo percebe e constrói a imagem de uma deusa tão ambivalente hoje em dia como Hécate, é distinta. Essas formas, não são nem verdadeiras, nem falsas. São distintas. Isso, porém, pode levar a uma simplificação boba do tipo “ninguém está errado, todos estão certos” quando considerados seus pontos de vista, ou o que importa é o que você acredita. Não é isso que quero dizer. Em muitas ocasiões afirmei que esse tipo de resposta muito comum é ingênua porque repete a negação da diferença e da divergência e a reduz a um ponto de vista. E o que é um ponto de vista? É a negação da divergência através da redução a uma experiência (usualmente tipificada como) menor. 

As formas de apropriação do Helenismo são ontologicamente políticas ou politicamente ontológicas porque o modo como cada grupo e pessoas dentro desses grupos constrói os seus referentes é simultaneamente particular e coletiva. É individual na medida em que fala sobre como a experiência fala para cada um, mas é coletiva na medida em que é também referendada dentro de uma comunidade. Não é de se estranhar, contudo, que ao negar a diferença e a divergência, acabemos construindo uma disputa sobre a verdade do helenismo: que tipo de atitude é mais ou menos válida?, o que faz sentido ou não? Que grupo é realmente helênico e quais não são? Supor que há algo que "é" implica também reconhecer que há outras coisas que não são. Isso é política.

No caso do helenismo, a sensação é que estaríamos a (ou deveríamos) falar da mesma coisa. Ora, por um lado estamos, mas por outro não estamos, e é preciso reconhecer e situar os limites de nossas respostas também. A forma como o reconstrucionismo produz essa forma de reconhecimento e delimitação é valendo-se de uma organização tripla, uma equação composta de: experiência-referência-tempo. Em certo sentido, acredito que o tempo é tão caro à prática do reconstrucionismo quanto a sombra é para (o que eu entendo como) prática da bruxaria. 


E a tocha?

Dado isso, voltemos à tocha. Afinal, a tocha olímpica contemporânea é um símbolo sagrado? É uma ofensa apagar o fogo que é nela depositado? Como reconstrucionista helênico entendo que, nesse contexto de comunidade e de pessoa a partir do qual falo, não há nenhum elemento helênico de sacralidade nisso. E para chegar a tal conclusão considero que os aspectos rituais que fazem com que um determinado objeto ou espaço sejam instituídos como sacros, como pios (eusebios) não foram cumpridos. É o mesmo raciocínio que usamos para diferenciar alguém que se coloca como sacerdote quando na verdade ele, se não é líder ou especialista em um determinado campo de experiência do sagrado, ele é no máximo sacerdote dentro de um contexto específico (o grupo/thiasus/coven/demos, enfim).

Não basta dizer que todo fogo gerado é sagrado. Não se trata da coisa, mas da forma como ela é produzida. O fogo é um símbolo do sagrado, mas a tocha olímpica em si, não é um símbolo sagrado. Acredito que, se por um lado o fogo é um símbolo sagrado, dada a dimensão ritual não qual é interpelado como símbolizador da presença dos deuses, ou um canal para eles, a tocha, por outro lado não é um símbolo sagrado. Talvez fosse mais produtivo pensar numa diferença entre símbolos do sagrado e símbolos sagrados. O fogo que queima um churrasco é tão ímpio quanto aquele que queimará as páginas desse texto quando as pessoas que, eventualmente, discordem da minha posição o ler. Uma chama, no escopo da prática e do sistema de crenças-referências a partir do qual minha fala é enunciada, só é sagrada quando devidamente selecionada, feita de maneira zelosa, limpa e piedosa e ofertada a Héstia por alguém que tenha suas mãos e corpo limpos, por alguém que realmente entenda Héstia como uma divindade digna de reverência e não como uma personagem da literatura mundial ou da mitologia (em seu aspecto depreciativo) de um povo. É o ritual que confere sentido às coisas e aos seres, isso é uma lição antropológica herdade desde Frazer, por exemplo. Ritual não implica necessariamente a cerimônia, seja ela qual for, mas o modo como usamos e reiteramos relações entre prática-símbolo-materiais, é um processo de transformação e reconhecimento. Nem todo pão é o corpo de Cristo, no cristianismo, assim como nem todo fogo será a chama de Héstia nos Hellensismos. 

Em todo caso, considerando a forma como os helenos entendiam sua relação com a sua crença e as crenças dos outros, acredito que o exercício deliberado de apagar a chama é, em certa medida, uma violação, uma violência. Não importa que a religião aqui em questão seja o esporte ou o capitalismo global (mode irônico ativado).

É preciso considerar ainda que, no contexto brasileiro a partir do qual essas tentativas de apagamento da tocha vem ganhando vulto e significado, mais que uma disputa por representação e pelo monopólio da verdade, existe uma questão efetivamente política de contexto nacional. Nesse sentido, apagar a tocha é uma forma de manifestação contra movimentos políticos  considerados ilegítimos. Não tem tanto a ver, por parte daqueles empenhados nessa atividade, com uma recusa ou uma discussão sobre os aspectos propriamente religiosos do referente (a tocha). Nesse cenário, mesmo reconhecendo essa tensão entre a insignificância e impiedade do ato, me disporia a tentar apagar a tocha. Sem qualquer constrangimento com a possibilidade do objeto alvo da ação ser um símbolo religioso. 

Reduzir um aspecto simbólico tão complexo à sua forma-aparência é uma atitude ingênua, quando não deliberadamente violenta e arrogante. Se a modernidade reclama a tocha como símbolo da sacralidade dos jogos olímpicos (que são mais globais, que propriamente olímpicos), para um heleno a sacralidade desse rito (o esporte) talvez esteja mais alocada em símbolos como o stephanos (a coroa de louros) e as ânforas com as quais os vencedores das competições eram premiados. O fogo é em si, quando devidamente consagrado, um símbolo mais amplo no nomos archaios, da antiga tradição, e não dos jogos. E convenhamos, a dimensão religiosa tal como compreendida e experimentada pelos helenos, é algo que falta às Olimpíadas da era moderna.

As crenças crescem e se constituem tanto de maneira contrastiva, quando são comparadas e percebidas como distintas umas das outras, quanto de maneira confirmativa, quando reconhecemos a pertinência de certas aproximações e semelhanças. 


Notas
1- Me perdoem se houver aqui um excesso de academicismo, isso também é parte da minha forma situada de produzir conhecimento a partir das experiências que efetivamente vivencio.
2 - Agradeço imensamente a Andrea Vasconcellos (Drea Cellos) pela possibilidade de discutir e produzir alguns insights presentes nesse texto preliminar. 

domingo, 26 de julho de 2015

Os muitos "nós" do Helenismo

Dentre todas as religiões reconstruídas, quiçá o politeísmo helênico seja aquela mais complexa de ser pensada e distinguida de outros sistemas religiosos, sejam eles cristãos ou não, ocidentais, orientais ou que se pretendam globais. Isso porque a relação com o mundo helênico é ao mesmo tempo popular e impopular, no sentido de sua adesão e compreensão. É popular na medida em que nomes como Zeus, Atena, Apolo e Héracles são tão ou mais conhecidos no Ocidente do que outros espectros divinos como os Lares, Ogma, Gefjon e seres de outros panteões (isso para ficarmos apenas nos panteões de deuses europeus). Se essa popularidade é evidente, ela é também contrastada por algo que poderíamos chamar de conhecimento esvaziado, superficial, e dizemos isso na posição de especialistas ou mais propriamente, de dedicados ao exercício e estudo dessa variante específica do politeísmo. Essa avaliação do aspecto impopular como um conhecimento esvaziado e superficial relaciona-se mais propriamente ao conhecimento das particularidades e complexidades da experiência religiosa do que a uma valoração sobre o caráter de eficácia ou não. 

O propósito desse ensaio é atualizar e aprofundar um texto anteriormente escrito por mim sobre os vários sujeitos que configuram o cenário do helenismo em seu sentido lato. Argumento aqui em favor do helenismo como categoria polissêmica, ou seja, percebida e construída de modos diferentes por muitos sujeitos; de modo paralelo, os sujeitos que se engajam nessas significações também são múltiplos, têm interesses e motivações variadas.
 
Polissemia
 
O Helenismo é polissêmico porque diz respeito a um domínio muito amplo de práticas, coisas e valores, não se restringindo apenas à religião praticada pelos helenos. Pode ser usado para referir à presença de personagens da cultura e sociedade dos gregos antigos (fala-se assim de período helenístico, de arte helênica, mitologia grega/helênica, e todo o folclore presente em contos populares, músicas, danças de períodos mais recentes) bem como à penetração desses referenciais no mundo contemporâneo e as ‘contaminações’ advindas daí ( especial ente os produtos da cultura de massa como Xena, Héracles, Guerra de Titãs, Piercy Jackson) e o intenso processo de atualização e recontar disso que podemos chamar (ou não) de “tradição helênica.” Nesse texto pretendo mais esclarecer como vejo esse conceito sendo operado do que defini-lo. Nesse sentido, minha posição deve ser equiparada a de um leitor do helenismo, simultaneamente próximo e distante, dentro e fora, tendo em vista que tenho circulação em alguns desses domínios, e em outros não. A forma como eu os nomeio, e, por vezes, como tento defini-los, também não é acabada, ao contrário, é pessoal, parcial e transitória, e assumo as consequências desse tipo de colocação como uma forma de responsabilizar-me pelo tipo de conhecimento que venho tentando construir.

Reconstrucionismos

Usualmente o reconstrucionismo é colocado em um patamar de rigidez e saudosismo que, na condição de devoto e curioso, não consigo ver de forma concreta. Antes, o reconstrucionismo parece ter mais a ver com um projeto de futuro do que com uma fuga ao passado. Ainda assim, formular isso é difícil tendo em vista que o modo como lemos o tempo é, por vezes, simplista e inerte, ignorando aspectos dinâmicos e cíclicos – e cíclicos aqui quer dizer não que eventos se repetem incessantemente, mas que os referenciais que usamos são constantemente reapropriados e produzem mudanças e transformações nas formas como nos relacionamos com o sagrado, com as pessoas, com o mundo. De modo objetivo quero dizer que o reconstrucionismo é uma vertente que dialoga com um momento histórico específico e o traduz nos tempo contemporâneo. Não se presume uma continuidade através de tradições mágicas ou religiosas (no mainstrean ou no segredo); ao contrário, a história e o povo são (ou deveriam ser) pensados como processos no tempo e a partir daí elege-se aspectos que se pensa como necessários de serem expressos a partir da experiência religiosa. Isso, todavia, traz algumas questões: onde estão os deuses? Eles são os mesmos dos tempos de Homero? E as outras modalidades de culto? Como lidar com a diferença não só temporal, mas também espacial? Longe de trazer respostas, essas são perguntas que venho fazendo a mim mesmo e aos meus colegas dentro do RHB na tentativa de construir alternativas que sejam responsáveis com o que se sabe da religião como praticada na Antiguidade Clássica, mas também condizentes com nossas expectativas e aparato no presente.

Mesmo o reconstrucionismo não é um objeto acabado. Ao contrário, sobre isso que mencionei no parágrafo acima como “eleger aspectos que se pensa necessários”, operam-se intervenções e adaptações. Assim, diferente da antiguidade, o reconstrucionismo helênico (ao menos como praticado no RHB e em alguns outros grupos, como a Hellenion) é pan-helênico. Dessa forma, é bastante diferente dos reconstrucionistas celtas, por exemplo, que agrupam-se em nichos de acordo com regiões geográficas, linguísticas e culturais: gaélicos, gauleses, celtinéricos, galaicos, entre outros. Se para estes o aspecto geográfico parece ser preponderante sobre o temporal, no helenismo o tempo ocupa uma dimensão bem mais significativa na forma de organizar a religião. O reconstrucionismo helênico é um produto inacabado na medida em que ele também é múltiplo, já que usamos a expressão parar chamar não só aqueles que se dedicam ao culto arcaico e clássico, mas também os alexandrinos, que estabelecem para si um recorte temporal e espacial distinto (o período helenístico, após a morte de Alexandre o Grande, tomando todo o território desde a Macedônia até o Egito e a profusão de fenômenos que essas relações históricas desencadearam sobre o povo e a religião).

Helenismo como outras religiões
O Helenismo é tomado como experiência religiosa não apenas dentro dos muitos reconstrucionismos. A religião assume valores e possibilidades distintas, por exemplo, para recons e nativistas. Por religião nativa me refiro às experiências de pessoas que, tendo nascidas em território étnico, exercem uma prática religiosa que se pressupõe como endógena e originária. De modo mais específico, falo assim dos gregos que se percebem como helenos e praticam o politeísmo helênico. No nativismo percebo com os signos as vezes são manuseados de formas diferentes de modo que, se por um lado ideias como “terra”, “sangue”, “família” e “tradição” ocupam um lugar importante para definir quem é ou não heleno, o modo como as práticas são ritualizadas é um pouco menos rígido (mas não menos cerimonioso) do que é para um reconstrucionista ou, por vezes, um heleno eclético.
 
Outro “fenômeno matrioska”, se me permitem usar essa imagem, é o revivalismo. De modo geral entendido como um exercício saudosista de instituir no tempo presente um modo de vida que é característico de um momento anterior no passado, me parece que esse não é um território tão firma quanto se pensa. Percebo um amplo conjunto de práticas serem depositadas nessa caixa, práticas essas que dizem respeito desde a construção de vilas e comunidades autônomas que vivem sobre essa possibilidade anacrônica, até momentos ritualizados de lazer onde se desenvolvem jogos e encenações, como batalhas épicas e duelos entre representações de grupos rivais. 

Para neopagãos de modo geral o Hellenismos assume outros formatos, ainda que não se possa deixar de ter em mente que o substrato é o mesmo. E acreditem, para alguém com minha formação, é muito difícil falar em essência de qualquer coisa que não perfumes, mas talvez essa seja uma boa metáfora para se pensar como o helenismo é apropriado, ainda no campo da religião, por outros sujeitos: neopagãos ecléticos, bruxos (e as muitas variantes dentro disso), além de tradições particulares. Sobe esses não tenho tanto fundamento, de modo que prefiro ficar na colocação genérica de que, a religião é quase sempre subsumida ao culto dos deuses, e ainda assim, sob formatos estrangeiros, não exatamente helênicos. Isso quer dizer tanto que os festivais não são exatamente os gregos, mas de algum calendário genérico (como os sabás e esbás de origem wiccaniana) e práticas cotidianas também podem ser dotadas de outras regras e etiquetas que não aquelas registradas pela literatura clássica.

Helenismo fora da religião
Há ainda todo um espectro de apropriações do helenismo que se localiza fora do eixo religioso. Diz respeito às pessoas que se relacionam ao helenismo como campo de estudos (os acadêmicos) ou como área de interesse (o que eu tenho chamado de fetichistas, ou seja, pessoas que estabelecem para com o Helenismo uma relação icônica e não devocional, seja pelo apreço que têm para com a mitologia, literatura, história, enfim).

Atando os nós
 
Tanto dentro como fora do eixo religioso essa classificação e modos de operação esboçados por mim são mais ideais do que concretos, de modo que eles podem se encontrar, se misturar e se disseminarem de modos variados. Assim, mesmo no campo do reconstrucionismo, uma pessoa que tome os deuses como arquétipos, por exemplo, pode ter essa perspectiva lida como uma região de transitividade entre o helenismo como campo de estudos e o helenismo como religião orientada; em todo caso, prevalecem as fusões, interconexões e aproximações. 

Esses processos de coocorrência e encontro não têm, para mim, nenhum valor menor, ao contrário, são evidências da intensa criatividade e dinâmica que é a religião enquanto experiência humana para com seres de outros domínios (antepassados, deuses, daemons, heróis, enfim). Se o helenismo é em si diverso isso é também uma evidência do seu potencial e força. Evidente que como sujeitos que buscam produzir diferenças e distinguir-se frente a outros, também estabelecemos estratégias de distinção e separação, mas isso faz parte de um domínio político que não é de todo aquém a essa diversidade, ao contrário, a confirma. Quando dizemos “nós”, estamos falando de mais pessoas do que podemos supor, mas ao mesmo tempo, limitando. É uma ambiguidade que precisa ser refletida. Cabe a cada um, no seio de suas práticas e grupos, responsabilizar-se pelos nós que cria e pelos vínculos que estabelece.

Eirene!

sábado, 2 de outubro de 2010

Senta aí que vamos falar sobre sexo

Esse é um blog sobre religiosidade helênica sim, só que religião não é um sistema social isolado do resto da vida. Essa visão que nós aprendemos na escola das coisas, tudo muito marcado, tudo muito distinto e separado é muito diferente da nossa realidade. Religião, política, sexo, humor, tradições, ética... são coisas que estão completametne interrelacionadas a tal ponto que qualquer uma delas poderia falar sobre as demais sem qualquer problema.

Mas do que sexo, pretendo aqui falar um pouco sobre sexualidade e questões políticas que costuram essas temáticas: sexo, sexualidade, orientação sexual, religiosidade, estado de direitos, estética.. E isso tudo porque me incomoda profundamente essa visão que perambula pelo mundo da sexualidade helênica da antiguidade como  uma verdadeira orgia (no sentido vulgar do termo), uma putaria geral, onde todo mundo era gay e todo mundo comia todo mundo. Os de coração fraco que me perdoem, mas creio que os leitores desse blog são pessoas inteligentes e bem resolvidas, e sendo assim, usarei do palavreado que me convier, quando achar necessário.

Pra início de conversa, a sexualidade grega é bem mais complexa e bem mais diversa do que se pensa; enquanto se fala muito da questão homoafetiva ou pederastia, na concepção histórica do termo, esquecemos muitos outros elementos que são fundamentais, a exemplo das concepções de amor, da amizade, do casamento, do sexo como profissão e como "castigo"...  que eu pretendo abordar nesse breve espaço.

É um argumento que eu uso muito, ams que é fundamental na concepção de toda produção cultura lgregas:o fato de que a antiga Hélada, a nossa Grécia, não era um estado unificado, um país ou uma nação no conceito moderno, mas sim um agregado de cidade-estados, com uma estrutura cultural e política distinta e com aspectos religiosos e linguísticos que apesar de apresentarem um núcleo semelhante, também apresentavam variações de um lugar para outro,mas que os unia.

Então é o caso de se dizer que não haveria uma única forma de entender a sexualidade, pelo simples fato dela se manifestar segundo aspectos culturais que eram diversificados e por pessoas das mais diferentes origens em constante interrelação. Mas o que podemos abordar são os aspectos gerais dessa sexualidade, vez por outra apontando aspectos específicos. 

Comecemos pelo amor... amor não era (e ainda assim não é) uma condição fundamental para o sexo ou para o casamento na Grécia arcaica e clássica. Fazia-se sexo por puro desejo, ou por amor, ou por vontade, ou por necessidade. O casamento nesse contexto funda-se essecialmente com uma instituição de aspecto político e social, mas não necessariamente afetivo. O casamento em grande parte das polieis era uma forma de se ter filhos autênticos gerados por cidadãos, e assim garantir a continuidada da vida em comunidade, das frátrias. E considerando esses aspectos, são muitos comuns os festivais que visam por um lado, reconhecer esses filhos autênticos, legítimos, prepará-los e inseri-los para a vida na comunidade, mas também há os festivais que têm como objetivo acolher e dar o mínimo de assistência aos  filhos bastardos, frutos de casamentos não possíveis ou ilegítimos. 

Pois se por um lado o casamento era unicamente um acordo, por outro havia sim o sexo visto como uma atividade prazerosa (alguns a condenando  e outros a glorificando).  Assim aparecem as figuras das hetarias e pornoi/pornai; personagens fundamentais para a compreensão da sexualidade grega. A prostituição é listada entre os gregos como uma profissão como qualquer outra, existindo não só prostitutas mulheres, como homens também, conforme aparecem representadas por diversos autores como por exemplo aparecem nios diálogos de Sócrates, ou nos textos de Estrabão e nas peças de Xenofontes. É preciso também que se faça uma rápida distinção entre as pornai e as hetarias. As pornais geralmente eram escravas ou cativas de guerra; eram as prostitutas mais baratas que em muitos casos ficavam sob a tutela de um proxenata em pequenos albergues que na altura da antiguidade eram chamados de pornoboskós, algo como um prostíbulo. Já as hetarias eram mulheres independentes, muitas vezes com certo conhecimento de épica, filosofia, ginástica ou gramática, bem como tocadoras de instrumentos, e que na hierarquia social eram bem mais reconhecidas e valorizadas. A história menciona inúmeras hetarias famosas, como por exemplo Aspasia, que foi amante de Péricles, Teodota e Finés, sendo esta última modelo de Praxtíteles para a Afrodite Cnido. 
A prostituição masculina existia, sendo requisitada por homens e mulheres, porém há poucos registros para esse fato, sendo a mais conhecida aquela feita por Xenofontes na peça Pluto. Além da prostituição masculina, outro fato nesse universo pouco registrado, mas que se tem conhecimento é a prostituição sagrada. Em suma, o que se sabe é que alguns templos, em especial os templo de Afrodite em colônias distantes e o de Corinto albergava inúmeras prostitutas, sendo inclusive reconhecido a oferta feita por um cidadão chamando Xenofonte (não o trágico) que ao vencer as provas de pantatlo e corrida darante os Jogos Olímpicos fez o aferta de cem mulheres para o templo de Afrodite em Corinto.  Outra questão relevante no estudo da sexualidade helênica é a estética. Aos primeiros olhares, quem analisa as representações de prostitutas e até mesmos de pessoas comuns da Grécia Antiga, inclusive em  algumas estátuas, pode deparar-se com padrões de beleza destoantes da beleza clássica defendida pelos gregos. Nesse caso é preciso que se compreenda a beleza como um produto histórico. Cada cultura elabora para si padrões de beleza que lhe são convenientes e que corroboram com as suas crenças. É dessa forma que hoje em dia temos um padrão de beleza que circula o andrógino, a alguns anos a magreza feminina, já durante a Renascença a gordura aparece como ideal de beleza e da mesma forma na Pré-História, bem como durante à Idade Clássica, criou-se a idéia de belo como equilíbrio nas proporções (e até mesmo no espírito, na inteligência e na alma, segundo alguns). 

A questão da homossexualidade é ainda mais polêmica. É recorrente o pensamento de que na Grécia clássica a homossexualidade era comum, porém eu sou do partido que só se pode classificar aquilo que é possível, e se pensarmos que definições como 'heterossexualidade', 'homossexualidade' foram criados por volta do século XIX... XX e termos como 'bissexualidade' e 'pansexualidade' serem mais recentes ainda não se pode dizer que os gregos fossem gays ou heterossexuais ou bissexuais que fosse, visto que esse sistema de classificação não caberia ou seria adequado historicamente. Podemos sim mencionar que havia o predomínio de certo padrão, mas nem isso pode ser atestado como verdade absoluta.
A Pederastia, que mais uma vez caiu no censo cumum e acabou por perder todo seu campo de signifgicação primitava, passando a palavra designar o abuso de crianças por adultos do mesmo sexo, e a própria idéia de pederastia em homossexualidade, quando na verdade não é bem assim. A Pederastia aparece na história Grega como um sistema de apóio à educação. A partir de certa idade um jovem cidadão poderia ser "adotado" por outro mais velho, a fim de que este ensinasse artes militares, a vida em sociedade, hábitos masculinos entre outros, podendo-se até mencionar a atividade sexual. Nesse ponto não se pode determinar se havia ou não relacionamentos sexuais, por mais natural que isso possa parecer, pois em algumas cidades há leis que proíbem o abuso do menor, o eromenos. Há ainda registros de que a posição passiva durante o ato sexual era vista como uma redução do vigor masculino, sendo um grande insulto ser chamado como "frouxo", "folgado" em termos correspondentes aos dialetos locais. Porém, eu sugiro que esses xingamentos sejam vistos de outra forma, não como uma degradação do ato sexual, valorizando ou menosprezando a posição de um ou outro parceiro, mas sim como um xingamento necessário para que não se exponha a intimidade do casal. Se considerarmos que Hera, a deusa do casamento era uma deusa intimamente relacionada ao decoro, expor as relações sexuais do casal, era um erro que não caberia, e que merecia sim, punição.
Já do outro lado dessas correntes, era possível em algumas cidades da Grécia o casamento entre pessoas do mesmo sexo, algumas em termos explícitos, outras não. Na antiguidade havia verdadeiras competições por alguns eromenos. Para algumas famílias, era até conveniente que o seu filho tivesse relações com um erastes de alto prestígio, visando assim a ascedência desse. Alguns historiadores afirmam que o aspecto estético da pederastia era muito frequente, mas era essencialmente uma instituição social, fundamental, de modo que, segundo Platão, era algo que diferenciava os gregos dos bárbaros. Ainda sobre a pederastia, é preciso que se diga, sendo alguns historiadores, é uma instituição que ultrapassou os limites da Grécia, sendo encontrados indícios não só no mundo helênico, mas em diversas partes do mundo antigo e fora dele,  a exemplo da Coréia, Japão, China e no próprio Oriente Médio. 

Outra questão de grande confusão é a homossexualidade feminina. Em geral, o idel grego de mulher era marcado por um certo decoro doméstico. As ruas não eram lugar para uma mulher "decente", e quando casada, pouco se permitia que fosse além de sua casa, sendo ela a responsável pela manutenção da mesma e do cuidado da família. O acesso à educação era restrito, sendo em algums polieis muito comum, enquanto em outras um grande tabu. Basta que se mencione o caso de Sapho de Lesvos, que não se sabe ao certo, tinha grande afeição por suas alunas a ponto de ter relações sexuais com elas. Mas como o lado "sujo" de todao história acaba sendo o que ganha mais destaque, acabou-se por identificar Lesvos como a ilha das lésbicas, vindo o próprio termo do nome da ilha.

O que se pode dizer hoje em dia, sobre o a homossexualidade e sobre o casamento, é que cada pessoa tem total responsabilidade sobre suas escolhas, obedecendo a certos padroes éticos, que no nosso casos incluem as Máximas Délficas e os conselhos de Solón. Sendo o casamento uma instituição religiosa, cabe à cada organização definir se ele seria ou não possível dentro de suas crenças. Já com relação aos direitos civís para a união civil reconhecida, é algo que está para além do campo religioso, o que deve-se diver como uma grande vantagem, visto que a grande maioria das instituições religiosas que são maioria do mundo contemporâneo são contra a união civil homoafetiva. Já com relação às mulheres, o que defemos é o pleno exercício de seus direitos e a igualdade de condições para homens e mulheres, de todas as etnias e idades.

É evidente que há uma série de outros temas que não foram abordados no pequeno espaço desse artigo, até porque não seria possível, mas o que se pretendeu aqui foi fazer uma breve explanação história e um posicionamento de geral de minhas opiniões, que de certo modo confluenm com as opiniões do movimento reconstrucionista helênico no Brasil.

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Crédito das Imagens:
1 - relevo de moeda expondo Afrodite de Cnido, de Praxíteles
2 - Afresco mostrando erastei e eromenoi num Symposium do século V AEC 

Recomendações de Leituras:
Amor, Sexo e Casamento na Grécia Antiga, Nikolaos Vrissimtzis ( Ed. Odysseus)

sábado, 5 de junho de 2010

da Liberdade Religiosa na Grécia Hoje

Nos últimos meses a Grécia vem ganhando as páginas dos jornais devido à crise européia , mas longe de ser a única, não é apenas a economia que vem se mostrando um problema no país que é o berço da civilização ocidental e a que a maioria dos possíveis leitores deste ensaio se voltam no que se refere a religiosidade.

Hoje do pouco mais de 10 milhões de habitantes, a Grécia tem cerca de 100 mil pessoas que se declaram como politeísta (dados de 2005), o que é algo em torno de 2% da população do pais. Nesse conjunto de 100 mil pessoas, cerca de 2 mil são adeptas do Helenismo na sua vertente reconstrucionista, e as 98 mil restantes são adeptas de outras formas de politeísmo étnico.

De acordo com  Vasilios Makrides, professor de teologia da Universidade de Atenas, a revitalização do culto politeísta na Grécia é vista por parte da Igreja Ortodoxa com muita suspeita.  No livro " Hellenic Temples and Christian Churches: A Concisious History of Religious Culture of Greece from the Antiquity to The Present" o autor faz um vasto estudo da cultura religiosa da Grécia desde os primórdios de sua civilização até os dias atuais, mencionando inclusive os conflitos relgiosos entre politeístas e ortodoxos, e orotdoxos com outros grupos religiosos. Segundo o autor, os setores mais conservadores da Igreja Ortodoxa vêm analiando o avanço do politeísmo e as políticas de valorização da cultura helênica iniciadas pelo governo no final dos anos 80 e começo da décade de 1990 com um verdadeiro plano de paganização da Grécia, supondo alguns até ser isto um "projeto não oficial" de paganização, como foi apontado em alguns jornais.

Vale lembrar que aqui tomamos sempre o partido da liberdade de expressão e por consequência, da liberade de culto que nos é garantido constitucionamente pela Constituição Brasileira, porém no contexto político grego, temos estruturas diferentes. A Grécia está entre os países mais intolerenates no que se refere à religião no continente europeu, tendo inclusive sido condenada pela Comissão Européia dos Direitos Humanos pelo caso Kokkinakis.

A Constituição grega ainda está sob a tutela da Igreja Ortodoxa, conform pode-se ler no seu artigo 3°. paraágrafo primeio, que entre outras coisas menciona que o dogma da Igreja Ortodoxa passa a ser o do estado, e que ambos estão intimamente relacionados. Há o atenuante ainda de na Grécia o ministério da Educação está relacionado também ao da Religião, ou seja, além de não haver uma Estado Laico, conforme se defende nos modelos econômicos e sociais da pós-modernidade, ainda há um influente e "perigoso" relacionamento entre religião e educação que fere àquilo que está escrito na Convenção Européia de Direitos Humanos, onde pode-se ler no seu artigo 9:

1. Todos têm liberdade de pensamento, consciência e religião; é inerente a estes direitos a liberdade para mudar de religião ou crença, esteja o individuo só ou em comunidade, seja local público ou privado, poderá manifestar sua religiosidade poradoração, ensinamento, prática ou observância.
2. A Liberdade para a manifestação religiosa ou de convicções pessoais só está sujeita a limitação quando previstas em Lei ou ainda quando houver ameaça à Sociedade Democrática, isto é, quando os interesses relativos à segurança pública, manutenção da ordem pública, saúde ou moralidades, bem como para a proteção dos direitos fundamentais e liberdades garantidas, estiverem ameaçados.

  Não é objetivo nosso defender uns poucos que compõe a minoria politeísta, mas sim defender a liberdade de expressão que deve ser comum a todo Estado Democrático. Se os antepassados ensinaram-nos a lutar por aquilo que nos parece justo, ou como diz nas paredes dos Portais de Delfos, "Πραττε δικαια" (Pratique o que é justo); é por meio da honra de todo guerreiro em batalha, disposto a morrer por seus ideias e que jamais se curva a amoralidades que nós nos colocamos do lado daqueles que entre tantos outros revindincam o humano e inato direito do culto e da fé, seja quais forem os nomes a que se chama, respeitando os princípios de uma legislação democrática e favorável à liberdade.

O  YSEE, aquela que é sem dúvida a maior organização politeísta helênica, não só em termos de membro, mas também em relevância histórica,  já que foi a primeira organização criada com o propósito de garantir o direito à liberdade relgiosa por parte dos politeístas helênicos na Grécia, noticiou através de seus membros que as celebrações abertas, que até então eram uma marca evidente do combate a esta intolerância e fechamento por parte  do governo à liberdade religiosa, o fim das celebrações devido às ações violentas de repressão e ostensivas, em favor sabe-se lá de quais ideais.

Reiteramos o que foi dito em linhas acima: não estamos aqui a defender um ou outro grupo que se sente excluído, mas sim em favor de uma liberdade que garanta a cada ser humano o mínimo direito de ACREDITAR.

sábado, 3 de abril de 2010

O Sacerdócio no Reconstrucionismo Helênico

Uma questão que tem sido levantada nos últimos tempos e com bastante reverberação pelos novos e não tão novos membros do grupo reconstrucionista helênico no Brasil é o sacerdócio. Como proceder numa prática religiosa institucionalizada se não há um dos principais elementos-guia desse processo que é o sacerdote, ou o arconte-basileus/heiroi no nosso caso ? 

A questão precisa ser analisada e repensada, fundamentalmente em sua estrutura.

Antes de mais nada é preciso levarmos em consideração que no Brasil não somos um grupo institucionalizado, o que é algo que tenho repetido muito para possamos nos diferenciar de casos estrangeiros onde há particularidades legais e históricas, além de estruturais que propiciam este tipo de coisa. Verdade seja dita, para que haja esse tipo de coisa é preciso uma certa proximidade, e mais que isso pessoas qualificadas para exercer tais funções. Uma instituição não se mantém por boa vontade dos deuses, é preciso investimento por parte dos membros que a compõe, e no Brasil já temos um certo histórico de charlatanice que nos deixa de olhos em suspenso para esse tipo de coisa, e de fato, sempre haverá alguém para se aproveitar da fé inocente de um ou outro indivíduo.  

Temos pessoas qualificadas, sim, sem dúvida! Mas há interesse em exercer esse tipo de função num contexto social além do seu conhecimento? Essa é uma questão que também precisa ser considerada. Querendo ou não o cargo de sacerdote impõe  algumas qualidades que fazem o seu status, e com tais qualidades há bônus e encargos. Retaliações, desrespeito, injúrias já são comuns para sacerdotes de todas as religiões por parte de seus opositores, no caso das religiões étnicas não deixa de ser diferente. E aqui voltamos novamente a questão da charlatanice e dos recursos para manter tal instituição. O sacerdócio não deixa de ser um ofício, e como tal, é justo que tal sacerdote seja pago por isso,a final, ele também atende por demandas. Quem arcará com tais custos ? Como reconhecer a legitimidade de tal profissão ? 

NIKASSIOS, (O Clero no Reconstrucionismo Helênico, 2007), aponta que uma das solução para o reconhecimento da legitimidade de tal classe no Hellenismos seria a criação de uma espécie de Colégio de Formação de Sacerdotes, mas para que tal caímos novamente na questão do financiamento. Porém, além do lado material , há outra esfera problemática para o reconhecimento e intitucionalização dos cultos, que é a esfera jurídica.

A Constituição Brasileira no seu artigo V, parágrafo VI diz: "É inviolável a liberdade de consciência e de crença sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias." Em termos práticos isso implica dizer que qualquer pessoa tem direito de exercer a sua fé, seja ela qual seja, sendo assim, se você acredita em um deus monoteísta, numa diversidade de deuses, em um casal de deuses (duoteísta), em nenhum deus, ou que deus seria o Mestre dos Magos, da Caverna do Dragão, você tem tanto direito de culto quanto as demais opções, mas fato é que cada organização religiosa tem um corpo ritual que lhe é próprio, e tais rituais religiosos não podem estar acima da lei maior que é a constituição. No parágrafo VIII do mesmo artigo a Constituição menciona que "ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei." Mas sabemos que não é assim. O direito de expressão da sua fé acaba onde começa o meu, ou onde arbitram leis superiores (não divinas, mas de importância maior para o Estado, como o Código de Direito Civil, ou Pena, e a própria Constituição). Tomemos um exemplo: na umbanda é comum nos ritos religiosos o sacrifício animal, o que pode ser visto por alguns como uma violação das leis ambientais em alguns casos como por exemplo o sacrifício de tartarugas em ritos específicos. Mas a constituição garante a lieberdade de culto, e aí?

No caso do Hellenismos esse problema de coerência rito-legislação não é tão recorerrente posto que já há um certo concenso entre os organismos institucionais ou não no que tange ao respeito às leis de cada nação; além do que há outras alternativas que podem, com coerência e criatividade, serem incorporadas como substituição. Fato é que temos uma estutura legal que em muito pode ser parecer ilusória; o Brasil é supostamente um país laico, porém não é bem assim que as coisas são na prática devido à convenções  socialmente impostas e que de certa forma geram um impacto positivo na economia e que dificilmente serão deixados de lado, como é o caso dos feriados nacionais de cunho religioso (Páscoa, Dia de Nossa Senhora Aparecida); porém, há outras questões que também precisam ser repensadas e que essas sim, podem ser corrigidas, como o caso da ostentação de símbolos religiosos em locais públicos e o ensino de Formação Religiosa nas escolas públicas, que mesmo não sendo obrigatório ainda está inserido no currículo (por mais que esta contemple a diversidade religiosa; penso que cabe a cada indivíduo buscar informações sobre uma prática religiosa que lhe interesse, posto que por mais que se defenda uma suposta 'diversidade' ela nunca será atingida em seu âmbito total, dados o ressuurgimento e revivalismo de religiões étnicas, como a nossa, e a corrente de proliferação de novas entidades religiosas novas a todo instante).

Voltemos ao sacerdócio! Fica exposto que nas condições em que vivemos e sob as quais atuamos, uma estrutura clerical, por mais necessária que seja, precisa ser muito bem repensada, estruturada e elaborada,e isso levará algum tempo. A solução mais viável, creio eu, é a continuidade dos pequenos grupos de prática e estudo em permanente comunicação com os demais para que seja assim viável a manutenção de uma comunidade politeísta helênica brasileira. Em suas práticas pessois cada grupo pode eleger para um um representante ritual, uma espécie de sacerdote para aquele momento, o que é até natural e comum, consciente ou inconscientemente, deixando claro que para o resto da comunidade esse sacerdote não ocupará as funções que ele desempenha em seu grupo, será mais um membro, mais ativo ou relevante, não vem ao caso, da nossa ágora. 

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Recomendações


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Além da Orientação, uma opção



No país do carnaval, é lema absoluto que “futebol, política e religião não se discute”. Verdade? Honestamente, creio que não, mas é provável que pessoas diferentes, por respeito ou por preguiça de pensar, concordem. Mas vejo que há aqui uma grande possibilidade de crescimento, porque em qualquer uma dessas áreas a discussão certamente tem como resultado a evolução, a melhoria nas idéias, posicionamentos, evidenciando falhas e propondo soluções. E é justamente nesse sentido que aqui nos interessa a pergunta: o que somos como somos e por que somos, enquanto proposta religiosa?


Provavelmente já nos deparamos com uma pergunta do tipo: ‘qual sua religião?’O que há de se responder? Grego, pagão, helenista, reconstrucionista? As respostas podem ser inúmeras, de acordo com a tradição a que você se presta, talvez por isso haja tantas dúvidas, o que de certa forma não é um erro, visto que é uma ocorrência freqüente nos adeptos de religiões históricas. Afinal, qual a necessidade de perguntar a um grego do século VII AEC qual a religião dele, se ele seguia a religião cível grega? O mesmo ocorre com celtas, gauleses, egípcios... Na antiguidade havia uma infinidade de cultos, mas todos com elos em comum entre si, principalmente nos povos politeístas. O que vemos hoje, são inúmeras instituições religiosas, a maioria delas divergentes de tão semelhantes.

Hoje, no Hellenismos, são várias as denominações utilizadas, de acordo com o grupo em questão. A Hellenion, maior grupo norte-americano utiliza-se da expressão “Hellenismos”, já o YSEE, a primeira e maior organização reconstrucionista usa os termos Helenismo, Politeísmo Étnico e Tradição Helênica. Já o Ellaion usa “ Dodekatheísmo”; o Dudekatheon, Religião Helênica. Até mesmo dentro da proposta reconstrucionista há diversas opiniões.

Apesar de todas as divergências nesse e outros aspectos, o que nos interessa são os pontos em comum, que são a real maioria, visto que todas estas instituições, além de outras menores, repousam sobre princípios semelhantes, de honra e preservação das antigas tradições helênicas.

Não há uma Igreja Universal Helênica, a fé grega, mesmo na antiguidade, nunca foi unificada. Havia cultos diferentes para um mesmo deus, de acordo com a polis onde ele era honrado. Da mesma forma não podemos acreditar que hoje haveria uma única fé helênica. É preciso admitir que, mesmo dentre os reconstrucionistas, há orientações diferentes. O que é então que nos define como reconstrucionistas no politeísmo helênico?

Segundo Andrew Campbell (Old Stones, New Temples, 1998), o reconstru-cionismo helênico tem sua origem com a insatisfação com o nível cultura da então dominante Tradição Wiccana. O reconstrucionismo helênico começa a surgir por volta de 1990, sendo institucionalizado pelo YSEE (Ύπατο Συμβούλιο των Ελλήνων Εθνικών, Supremo Conselho dos Gentis Helenos) no ano de 1997, no Congresso Mundial das Religiões Étnicas. Porém, a expressão “reconstrucionismo” já havia sido utilizada antes, na década de 1970 por Isaac Bonewits, mas foi em 1979, com Margot Adler que a expressão tomou uma forma semelhante à empregada hoje. Margot foi a primeira mulher a fazer um exame detalhado das práticas pagãs da modernidade; em Drawning With The Moon (1979), ela foi empregou a expressão supostamente cunhada por Bonewits (isso porque ele mesmo não recorda-se se a expressão é sua, ou se foi um achado bibliográfico) para referir-se às pessoas que tinham como orientação religiosa alguma religião histórica.

De acordo com dados de 2005, estima-se que cerca de 2000 gregos eram adeptos ou praticantes do Reconstrucionismo Helênico. E cerca de 100 mil praticavam alguma tradição religiosa relacionada ao politeísmo helênico, entre elas o neopaganismo e o reconstrucionismo. Porém, devemos considerar que esses dados refletem apenas um panorama grego. De 2005 até hoje muita coisa mudou.

sábado, 10 de outubro de 2009

Negação ou Afirmação ?


Não pela primeira vez sou denunciado por acreditar nos mortos, e viver pelo passado. E é sobre isso que escrevo. Hoje essas denúncias chegaram a um ponto em que estou sendo acusado de negar a vida, pensando afirmá-la, com a crença pela qual opetei. Geralmente não costumo misturar temas especificamente pessoais, em especial minhas opiniões, com temas que tem um interesse geral. Acredito que nesse tipo de caso a melhor coisa a fazer seria expor os fatos como os vejo (afinal de contas, a neutralidade é difícil) e deixar que cada um opte pelo lado ou opinião que melhor lhe convier. Fato é que em situações como essa, onde somos minoria, querendo ou não aquele sentimento de que realmente estamos errados impera frente à  imensa maioria. Mas isso é, penso eu agora, absolutamente redículo.

Vamos aos fatos...  se fizermos um paralelo entre as religiões contemporâneas e a religião grega veremos que na verdade há uma imensa maioria de religiões que têm como foco a negação da vida, frente a poucas correntes de pensamento religioso, entre elas o Politeísmo Helênico, onde a vida é enaltecida e contantemente enobrecida e afirmada.

A religião grega não trabalha com essas possibilidades, ao menos não a religião cívica grega. Não há na religião grega relatos de crença pós-mortem, milagres ou coisas fo gênero. A religião grega afirma a vida, não faz promessas para depois ou constrói suas crenças com base numa moral do mais fraco; a moral grgea crê em valores maiores que a humilhação travestida de humildade: o heroísmo, a métis, a astrúcia , temperadas pela chabris, xênia, eusebia.

A religião grega vê vida e morte entrelaçadas de forma que uma não pode existir sem a outra. Os portais entre um mundo e outro existem, mas ocilam de tal forma que sempre se pode ver uma brecha entre a vida e a morte. Já os deueses sempre flutuam entre as esferas do humano e do divino. São "abrotoi", os de vida perpétua... 

A vida é sempre a essência da prática social, cultural e religiosa. Não se nega ou se foge da vida. A moral e todos os aspectos da civilização grega apontam para a experiência e para o engrentamente desse imenso "agon  kharismático".

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Há militância no Reconstrucionismo ?

Há militância no reconstrucionismo helênico? Pergunta capiciosa... mas não sem resposta. Porém, antes de respondermos cabe bem uma análise dos grupos que compõem a cena do Politeísmo Helênico.

De forma sintetizada e não acadêmica, podemos dividir os "adeptos" do politeísmo helênico em três grandes grupos com diversas ramificações internas de acordo com as características que lhe são próprias. São esses:

* Neopagãos: São de fato, o grupo mais numeroso. É formado por pessoas que cultuam os deuses gregos, mas sem um compromisso específico e exclusivo com Eles. Nesse grupo as tendências ecléticas e a livre interpretação dos deuses são caraterísticas presentes.

* Reconstrucionistas: Talvez seja o menor grupo. Como o próprio nome diz, reflete um ideal de reconstrução da religiosidade, ética e cultos dos gregos antigos adaptando-os, sempre que necessário for, às situações do dia dia que envolvem a o mundo contemporâneo. Não são admitidas as livre-interpretações ou ecletismo nessa tendência, visto que ela é de caráter histórico-ritual, ou seja, os ritos desenvolvidos tendem a ser o mais semelhante possível ao que se tem conhecimento de como eles eram executados na antiguidade.

* Curiosos: Um civilização tão magnífica como a grega deixa admirados ao longo de toda a história, e sem dúvida, esse grupo de admiradores contituem a maior dos helenos. Não cosntituem de fato um grupo de cultuadores dos deuses gregos, mas são apenas afins... indivíduos que sentem o que poderíamos chamar de simpatia pela arte, filosofia, política, mitologia, história, enfim.. qualquer vínculo que o relacione à Grécia Antiga sem um compromisso necessariamente "formal".

O enfoque Reconstrucionista da religião grega é de certa forma um fato recente no culto moderno. É sem dúvida admissível a hipótese de que ele resultou de um desmembramento de visões daqueles que um dia foram neopagãos, mas que devido à inclinações ideológicas ou inconssitências/ desagrado, acabaram assumindo posturas de maior compromisso apenas com o Helenismo, sem misturas, distorções ou adaptações infundadas; aquilo que chamamos de paganismo reconstrucionistas emergiu com o cientista da religião Isaac Benewits, que de certa forma, cunhou o termo. Porém, foi apenas no final da mesma década que o Reconstrucionismo Pagão começou a fundar-se com as estruturas com que o conhecemos hoje. Foi Margot Adler quem começou a utilizar o termo de modo a referir-se aqueles que aderiram à religiões históricas, como a religião celta, grega, etrusta, persa, germânica.... Hoje caminha-se numa tendência de não mais usar-se o termo "reconstrucionista pagão" referindo-se exclusivamete à tendência que lhe é inata, por exemplo: os Reconstriciosnitas celtas em maioria preferem chamar-se de Druídas ( em referência ao Druidismo, sua antiga forma de religião). Simultâneo a isso, há a tendência e/ou preferência de muitos grupos em utilizar mesmo o termo reconstrucionista pagão, por verem na sua expressão a mais antiga corrente da religião que "defendem".

Além do ecletismo, há outras diferenças fundamentais que separam o neopaganismo do reconstrucionismo, tais como: não utilização do formato dito "wiccano" para realização dos ritos e festivais, onde há uma tendência ao uso de magia, o que vai contra os registros hoistóricos a cerca da religiosadade helênica pelo menos, que diferente de grande parte das civilizações vizinhas, que têm sua raíz no xamanismo, o Helenismo é fruto do animismo primitivo. A acuidade histórica é , sem dúvida, uma das características mais fundamentais do reconstrucionismo. O Reconstrucionismo Helênico propriamente dito, emergiu na década de 1990, e foi "cosntitucionalizado" em 1997, pelo YSEE ( Supremo Conselho dos Gentis Helênos).

Agora... voltemos à nossa questão: há militância no Reconstrucionismo Helênico ? De certa forma não, por quê? Se partirmos do príncipio de que a militância religiosa é algo como a "evangelização" dos cristãos, não, nós não praticamos e/ou defendemos tais práticas. Não é pretensão de nenhum reconstruciosnista, creio eu, ser algo como um quinto, sexto.. milésimo evangelhista, a propagar a "palavra dos deuses" aos sete cantos do mundo... vivenciamos a fé que defendemos, porém sem lhe fazer apologias e/ou manisfestações de modo a converter quem quer que seja à nossa fé.

A maioria das pessoas que chegam ao Helenismo são oriundas de outras expressões religiosas e chegaram de modo pessoal, ou seja, sem que ninguém as convidasse necessariamente... algo que começa como encanto, fascinação e atração, como bem diz o Sannion.

Evidentemente, estamos no mundo, e como tal, eventualmente nos dispomos a esclarecer um equívoco que se constata no dia-dia, e mesmo assim, nos momentos em que isto se faz pertinente. Isso pode ser considerado militância? Sinceramente, não sei responder. Mas acredito que não é pretensão de nenhum reconstrucionistas defender seu ponto de vista sobre a beleza que engloba o Helenismo como uma verdade única e absoluta, ao modelo cristão quando diz " Eu sou o único caminho para o Pai".

Nos centramos mais em uma conduta virtuosa e digna do respeito nosso e dos deuses, reconhecendo a importância dos demais membros da comunidade e nos empenhando em dar o melhor de que somos capazes. Como bem explica a Álex, no fórum RHB, "a moralidade helênica (assim como a nórdica) é baseada primeiro no heroísmo e na honra pessoal. Como foi dito por Diógenes Laércio 'Os Deuses devem ser tratados com reverência, nenhum mal deve ser feito, e a honra deve ser preservada'. Ou como os celtas costumam dizer: "Verdade em nosso corações, Força em nossos braços, e Realização em nossas línguas", esta última querendo dizer que as palavras de alguém devem refletir seus sentimentos e atitudes, e serem defendidas para manter a honra da pessoa".

Defendemos nossos pontos de vista, mas sem querer incutir aos outros esses mesmo de modo que eles se tornem uma única coisa. Admiramos a diversidade, o viço e a exuberância que é a vida, bem como os deuses que habitam nesses sublimes momentos de estonteante beleza e majestade.