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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Uma exploração rigorosa das origens selvagens: Walter Burkert sobre mitos e ritos

O texto que segue abaixo é uma tradução do prefácio escrito por Glenn Most para a edição inglesa do livro "Wilder Ursprung. opferritual und Mythos bei den Griechen" do helenista alemão Walter Burkert, publicado em sua edição espanhola com o título de "El Origen Selvage: mitos de sacrifício y mito entre los griegos" (Ed. Acantilado, 2011). É a partir dessa versão espanhola que traduzo o texto, apresentação ao relançamento dessa importante contribuição de Burkert para os estudos clássicos, em um dos seus momentos iniciais. O texto de Most, além de nos brindar com uma importante apresentação do contexto no qual se situam os trabalhos de Otto, também oferece algumas contribuições importantes para se pensar as relações entre mito e ritual no escopo da religião grega que se tornaram um dos principais temas de pesquisa de Burkert. Walter Burkert é um dos mais importantes helenistas contemporâneos e sua obra se estende desde o fim da segunda guerra mundial até os dias de hoje com interpretações e análises veementes sobre a história social e política da religiosidade helênica, influenciando outros importantes autores que se destacam nos estudos clássicos contemporâneos. Atualmente é professor da Universidade de Zurique, na Suíça.

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Uma exploração rigorosa das origens selvagens: 
Walter Burkert sobre mitos e ritos
(por Glenn W. Most)

O homem, em suas faculdades mais elevadas e mais nobres, é todo ele natureza, e traz em si a inquietante duplicidade desta. Suas capacidades terríveis, consideradas inumanas, por acaso são o único solo fértil onde pode brotar qualquer humanidade nas emoções, feitos e nas obras.  Assim, os gregos, os homens mais humanos dos tempos antigos, mostram um ar de crueldade, um afã de destruição como os de um tigre
(F. Nietzsche – Cinco prólogos  a cinco livros não escritos, 5 – A Competição de Homero)

Os mitos gregos não são inquietantes apenas para nós;  já entre os próprios gregos o eram e não apenas um mito particular que narrava a emasculação ou o despedaçamento de um deus o a loucura e atrocidades de um herói, mas o mito enquanto tal, como explicação que dá sentido às condições da vida humana mediante a narração das façanhas e sofrimentos de personagens sobre-humanos ou demasiado humanos. Desde Homero, todo poeta grego tenha que enfrentar a árdua tarefa de refazer cada vez para um público novo os relatos herdados, as vezes enigmáticos – por causa de uma única mulher uma cidade inteira foi assediada por dez anos e finalmente arrasada; um rei assassinou seu pai e casou-se com sua mãe -, mas sem reproduzi-los asperamente, e tampouco sem alterá-los tão radicalmente que desdissessem a tradição e resultassem pouco plausíveis. Todo historiado que não quisesse limitar-se a sua própria época tinha que ocupar-se das embaraçosas contradições e inverossimilhança dos mitos que, para os tempos mais antigos, eram a única fonte que conheciam. Era preciso reunir, selecionar, transformar e combiná-los. Por mais assombroso que pareça, quase ninguém ousou prescindir-se deles e, mesmo quando Éforo excluiu de sua História Universal os primitivos tempos míticos, sinalizando a impossibilidade de obter conhecimento científico preciso deles, todavia, aceita como ponto de partida seguro as migrações dos filhos de Heracles. Todo filósofo, por mais convencido que estivesse da inferioridade do pensamento mítico, tinha que enfrentar os mitos herdados, fosse refutando-os minuciosamente (entre outras razões, com o fim abrir espaço para os mitos que eles mesmo inventava para o casão, fosse demonstrando cientificamente que suas próprias verdades haviam encontrado já nas lendas mais antigas, uma expressão velada, mas recuperável em sua totalidade mediante a exegese alegórica. No final das contas, nenhuma escola filosófica  antiga podia prescindir da interpretação alegórica, procedimento justificado, inclusive, por Aristóteles e praticado por Lucrécio. 

A plausibilidade poética, a redução histórica e a exegese filosófica foram, por assim dizer, três soluções de emergência mediante as quais os gregos trataram de dominar seus mitos - imprescindíveis, ainda que insondáveis. Se a dificuldade de um desafio se mede pelos esforços repetidos que suscitou, então aqui o surpreendente não é tanto que os mitos gregos sofreram perpetuamente ataques e reinterpretações, mas sim que se mantiveram vigentes durante tanto tempo. Evidentemente a ancoragem na religião do Estado e a educação básica lhes conservava certa proteção, mas por que tantas âncoras persistiram com o tempo e não foram perdendo-se? Sem dúvida, justamente as três  estratégias citadas contribuíram também para assegurar a sobrevivência dos mitos, não só ao longo da acidentada evolução da cultura grega, muito mais de seu acaso: como manancial inesgotável de inspiração literária, como monumento duradouro das épocas mais antigas da história da humanidade, como alusão misteriosa a ensinamentos físicos e morais sublimes, os mitos conseguiram sobreviver a Idade Média e salvaram-se para a Idade Moderna. Tão exitosa foi a salvação que nem mesmo a independência das literaturas nacionais , o desenvolvimento das novas ciências históricas e das novas filosofias na primeira modernidade conseguiram romper o feitiço dos mitos gregos. No século XVIII sucumbiram as formas tradicionais da poesia barroca e da alegoria, mas os mitos já havia muito não necessitavam de tais procedimentos, que em princípio, deveria salvá-los.  Seguiam vivos e gozando de boa saúde. Logo, no século XIX, quase todo poeta romântico podia lançar mão dos mitos clássicos, enquanto a mitologia – que de aí em diante presumia-se científica – dos incipientes estudos clássicos o velho everemismo lançava tardias e extravagantes flores às teorias das lendas tribais de K. O. Müller, como nas diversas variantes da velha alegoresis filosófica em “Simbolismo e Mitologia dos povos antigos” de Creuzer e na “Mitologia Comparada” de Max Müller. 

De fato, o procedimento de todas essas estratégias de interceptação consistia de desacoplar o mito de seu contexto genético e funcional primitivo para integrá-lo aos sistemas literários, históricos e filosóficos europeus. Mas, nenhuma dessas formas de interpretação admitiu isso abertamente; afirmava-se uma vez ou outra que se havia restituído finalmente o mito ao seu sentido primitivo, perdido há muito tempo. No cenário das novas necessidades, o mito se apresenta com a máscara do primogênito, do absolutamente primitivo: seu suposto conteúdo, em detalhes exíguos, segue sempre acompanhado de uma exuberância patética arcaica, que do ponto de vista retórico, contribui com a legitimação do novo sistema mais que aquele. O mito não é igual à ficção: mesmo que sua separação equivalha a uma esterilização, o mito leva consigo uma referência inapagável daquele contexto distante a partir do qual brotou e se formou: “vem de lá e desde lá aponta o deus a chegar” (Hölderlin – O Pão e o vinho). Justamente essa tensão entre o caráter primitivo do mito e sua autonomia, entre religião e arte, entre o perdido e o salvo, produz o inquietante do mito: o mito sempre sobreviveu a si mesmo, e todo sobrevivente é inquietante. 

Os estudos de Walter Burkert sobre a história da religião grega consistem o intento mais importante de entender o aspecto inquietante do mito grego que aparece no âmbito da língua alemã desde a segunda guerra mundial. O núcleo desse intento reside na suposição de uma correlação funcional primitiva entre o mito narrado e os feitos rituais do culto. As variadas fábulas com que se educava as crianças  na antiguidade e (ao menos até há bem pouco) às crianças de nosso tempo, eram mais que um aspecto da religiosidade grega: o mundo grego estava repleto de tempos e santuários nos quais, em intervalos regulares e conformes os costumes herdados dos antigos, se realizavam os ritos em honra às respectivas divindades. Cada comunidade possuía seus próprios cultos, intimamente mesclados ao modo como as pessoas entendiam a si mesmas. A religião grega foi, em alguns aspectos essenciais, uma religião de Estado: a administração dos cargos, das cerimônias e do calendário das festividades figurava entre as tarefas mais evidenciadas da comunidade e fundava sua identidade política. Nos deveres dos cidadãos os atos religiosos confundiam-se com os políticos a tal ponto que a separação conceitual entre religião e política, tão evidente para nós mesmos, não pode ser aplicada aos gregos sem algumas reservas. 

Agora, é certo que muitos mitos gregos nos hão chegado nas formas (de todo familiar para nós) que lhes deram os grandes poetas da antiguidade; contudo, para ter notícia sobre a maioria dos ritos dependemos dos textos mais áridos da erudição antiga – relatos de viagem, tratados, comentários de textos, enciclopédias – cujas informações fragmentárias, que em detalhes se contradizem ou dão margem para mal entendidos graves, podemos complementar ou corrigir apenas em alguns casos afortunados, graças a dados arqueológicos. A eles, é preciso adicionar que, por mais estranhos que por vezes nos pareçam os mitos gregos, de fato seguem parecendo-se para nós (como já se pareciam para a maioria dos informantes clássicos da antiguidade tardia) muito mais compreensíveis que alguns ritos gregos. Que significa, por exemplo, que em Braurón chamassem de “ursas” a umas garotas entre cinco e sete anos que, vestidas de cor açafrão, ofereciam sacrifícios à deusa Ártemis? Ou que as Grandes Dionisíacas, de Atenas, se levassem na solene procissão do sacrifício não apenas a efígie do deus e um touro, mas também um grande número de falos de tamanho sobrenatural? Não surpreende que manuais de mitologia precederam em muitos séculos as primeiras coleções científicas de testemunhos sobre os cultos antigos.

Há exatamente um século, os membros da chamada Cambridge School of Anthropology – W. Robertson Smith, Jane Ellen Harrison, James George Frazer – acreditaram haver encontrado a solução de tal enigma fazendo derivar os mitos de muitos ritos e explicando estes últimos mediante a comparação dos costumes dos povos “primitivos” daquele período. Assim, para Harrison, o mito era a contrapartida falada do ato que se executava no rito: aquele não se entendia sem este. No âmbito das línguas anglo-saxãs, tal concepção exerceu uma influência duradoura sobre a imagem que se tinha da cultura grega, mas nos estudos clássicos alemães nunca chegou a arraigar-se realmente devido, em parte, a um justificado ceticismo ante os paralelismos forçados e as generalizações pouco fundadas e em parte a uma resistência pouco econômica à mera ideia de que os gregos, exemplares de tudo, podiam equiparar-se em algum aspecto relevante aos “selvagens” povos primitivos. Como resultado de tudo isso, na Alemanha houve uma separação durante um tempo quase insuportável entre o estudo dos mitos e o estudo dos ritos: o estudo dos mitos se subordinava ao estudo dos poetas, já que estes haviam inventado livremente aquelas fábulas (Wilamowitz escreveu: “os mitos são sagrados; os poetas relataram e os transformam”), e ficava excluídos dos manuais de história da religião grega; por sua vez, os manuais se limitavam majoritariamente a oferecer uma exposição sistemática dos resultados da investigação dos ritos. A palavra religiosa e o ato religioso, e em última instância mantiveram-se separados até mesmo o poeta, que inventava a fábula, e seu povo, que executava vez ou outra, os ritos.

A obra de Burkert está dedicada a fechar essa brecha. Para ele o mito e o rito se iluminam mutuamente: o fato de tratar-se em um caso de uma narração paradigmática, e, em outro, de um ato paradigmático, não exclui em absoluta uma relação recíproca; permite-se uma relação na qual um e outro se complementem e apontem-se mutuamente com maior êxito. Nesse sentido, Burkert é certamente um herdeiro da Escola de Cambridge, mas distingue-se dessa, no final de contas, pela pretensão universalista de alcançar, mais além da constatação de determinadas relações locais entre a formação de mitos e ritos particulares, algumas estruturas fundamentais – e isso quer dizer, para ele, primogênitas - da convivência humana. Para Burkert, a mensagem do mito e do rito são a mesma, nas palavras de Nietzsche: “as energias terríveis – a que se chama mal – são os ciclopes arquitetos e engenheiros de caminhos da humanidade”. A ordem indispensável para toda convivência humana duradoura pressupõe não só uma pressão aos impulsos inatos da agressão e da destruição, mas também a liberação construtiva de suas energias. A violência não é apenas o oposto da ordem, mas seu pressuposto e sua força portadora. Certamente as perguntas centrais de Burkert – como pode a ordem integrar a violência sem sucumbir a ela? Como pode a civilização prescindir da barbárie? – se inspiraram nas teorias de Nietzsche e Freud, na antropologia e na etnologia dos últimos 50  anos, mas as aguçaram as catástrofes do nosso século. Cada um dos ensaios aqui reproduzidos trata de um determinado ponto crítico na vida das sociedades humanas – o sacrifício, a iniciação, a renovação, a purificação, a legitimação – e demonstra que sem o rito o mito não superaria a crise em questão, nem poderia sobreviver a sociedade ameaçada. Talvez, Burkert, desde um ponto de vista metodológico, tenha uma predileção decidida e quem sabe um pouco exagerada pelas origens (particularmente no paleolítico); mas sua admiração pelos ganhos da cultura grega, que soube unir o duradouro e o humano, desemboca em uma preocupação, sobretudo, prática e contemporânea: já é tarde para que aprendamos com os gregos?

Um encanto singular emana destes primeiros escritos de Burkert; mais de quarenta anos depois não perderam o frescor nem foram cientificamente superados, ainda que muitos dos temas que aqui se anunciam tenham sido aprofundados e refinados pelo próprio Burkert em publicações mais recentes. Esse efeito, quiçá, seja devido em parte a que os estudos clássicos alemães não tenham extraído ainda toda a consequências do descobrimento fundamental da relação recíproca entre rito e mito, que vem dando fruto nos estudos estadunidenses, franceses e suíços – muito mais receptivos, certamente ao influxo da antropologia estruturalista de Lévi-Strauss – ainda que seguramente também seja devido a que nestes escritos primeiros se manifeste, com maior claridade que nos anteriores e de forma mais detalhada uma tensão genuinamente literária. Por um lado, o tom destes ensaios é a todo momento distante e sombrio; o estilo é objetivo, a argumentação, sutil; o autor domina soberanamente todo o repertório das disciplinas auxiliares dos estudos clássicos – a arqueologia, a numismática, a epigrafia, a linguística indo-europeia – e as emprega com tato e precisão. Por outro lado, seus objetos prediletos são o sangue, a morte, a loucura, o asco , o terror. Uma vez ou outra, Burkert conduz o leitor desde o dia luminoso da humanidade grega até a horrenda noite das agressões desinibidas, de impulsos (auto)destrutivos que precedeu aquele dia, que ia assediando e ameaçando aniquilá-lo a cada instante. Da explosão apolínea de objetos dionisíacos que empreender Burkert, de sua contemplação científica dos perigos mais aterrorizantes, emana um efeito inquietante próprio e singular.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Convite: Solstício de Inverno - 21 de Junho



Chamado a todos, onde quer que estejam, que acreditam e partilham das crenças, éticas e valores dos povos antigos. Nós, helenos em coração, ação e fé, e espalhados por todos os lugares do mundo, convidamos a todos amig@s, para juntar-se a nós nesse celebração e ritual em honra de Helios, neste solstício de inverno. Seja a chegada do Sol no norte, seja a despedida d'Ele, por aqui, convidamos todos para a celebração, pois,  o que nos une verdadeiramente é a crença e a ideia de que partilhamos um ideal de mundo similar. Sejam bem vindos para celebrar a ida de Apollon e a chegada de Dioniso a Delfos neste 21 de Junho. Acenda seu fogo, registre-o e compartilhe conosco esse momento de amizade, fraternidade e devoção. 


O fogo ainda arde!

Geia Sou!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Preces para Pipe

O presente artigo constitui-se de algumas preces elaboradas por mim com objetivo de pedir o auxílio dos deuses na cura de um pequeno. Espero que possa servir de ajuda não só pra este pequeno, necessitado no momento, mas também para outros. Se assim quiserem e tanto quanto mais poderem, os leitores deste blog podem contribuir com suas preces para que Andrés se recupere bem e tão rápido quanto possível. Para ler um pouco mais sobre as preces aos enfermos, clique AQUI. Bem... vamos lá!

(à luz deles, sob a fumigação de aromáticos)



I - à Héstia (a consagração da chama)
Divina Héstia
por todos  coroada
 em nossos corações arde tua chama
fogo passado e alimentado, perpétua tradição
Vens aqui, agne, vestida de branco
e envolve nossa casa em teu canto
deixa teu cheiro de óleos adocicados
para que se aproxime  o daemon da alegria e de boa sorte
o divino filho de Chronos, protetor desta família


II - para Apolo e seu filho 

Ó bondoso Pytho
que tão suave e forte
espalha a ti em brilho
deixa tua flecha solta
e traz junto a teu filho
o curador habilidoso
a graça já pedida
para que sem dano,
sofrimento ou agonia
chegue saudável e
em alegria
o menino, tão pequeno
a teu serviço dedicado

Tu Febo, multifacetado
atirador de flechas do arco prateado
leva para longe o malefício e a doença
junto de Asklépio e seus numes sagrados
devolve ao pequeno a saúde
e à casa seu real contento.


II - A Zeus

É por Zeus
altissonante portador dos trovões
e tempestades que chama neste canto
Ó tu, juntador de nuvens, purificador
Recebe esta prenda digna de teu nome¹
e faz em nós a limpeza desse desencanto
remove aqui, Pater mou, o problema e a doença
a dor e a desavença, lava em água purificado
teu pequeno devoto em serviço prestado
e deixa à família a criança, a cura
como toque de divina 


¹ - Espera-se que o postulante ofereça alguma oferta que pode ser um incenso, uma vela ou algo mais elaborado. 

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Rituais de fim de ano


Acredito que a maioria daqueles que conhece o calendário helênico bem o sabem que o ano novo noso não é o mesmo ano novo do calendário cívil normal. Porém, uma questão interessante nessa época do ano é que ela é neutra de influências religiosas e oferece uma egrégora muito boa, sendo assim, não vejo motivos para não incorporarmos a data dentro do nosso conjunto de práticas.

Pessoalmente faço algumas coisas específicas nesse último dia do ano e primeiro dia do próximo ano. Algumas são adaptações de antigos rituais de datas diversas, e consequentemente com simbologias diversas também; e também algumas outras que são criações pessoais, que dizem respeito à minha forma de ver e entender o culto. A seguir algumas sugestões baseado nisso:
  • Limpar a Frente da Casa - a frente da casa é o portal por onde as energias e os deuses entram em nosso lar. Eu vejo essa parte da casa como algo muito importante, um verdadeiro portal. Um hábito comum meu é consagrar essa parte da casa à Zeus Kthesios, o Zeus Doméstico. Eu lavo a frente da casa e as escadarias com água e sal, purificando-a e dizendo "Possas Tu, Zeus portador da égide, Kthesios, purificar e limpar minha casa, trazendo alegria, saúde e graça para toda a minha família não deixando que nenhum mal possa adentrar aqui". 
  • Purificação pessoal - Há vário métodos para isso, o que eu uso com mais frequência é o banho de mar, já descrito na antiguidade e usado em muitos festivais, entre eles os festivais dos Mistérios de Elêusis, como forma de purificação dos Mystai.
  • Limpeza da casa - isso já é um hábito comum, mas nesta data eu reforço a limpeza com uma espécie de limpeza astral. Eu geralmente acendo uma vela e incenso antes de começar, recitando o Hino Homérico para Héstia e em seguida uma prece para Zeus Kathatsios, o purificador. Em seguida eu acendo uma chama e queimo folhas de louro e outras ervas como alecrim, sálvia e canela. Então saio fumigando a casa repetindo "Hékas, Hékas Este Bebeloim". Então eu limpo o altar e a seguir começo a limpeza da casa lançando cevada e aveia pela casa. Após isso eu lavo a casa em si com água e sal, fazendo uma mistura entre aquilo que foi lançado e a água purificadora. Enquanto vou lavando eu siqgo cantando músicas que me lembrem os deuses ou vou fazendo-lhes preces de acordo com o cômodo que está sendo limpo.
  • Purificação e limpeza do altar  - Acredito que nesse dia o altar merece uma precopação especial, então eu limpo, troco a toalha,  coloca ofertas, velas novas e incensos. Então eu fumigo o espaço com folhas de louro em chamas e em seguida coloco a imagem em seu lugar de origem.
  • Geralmente encerro esse tipo de celebração com um minibanquete, com comidas que são repartidas entre a família e os deuses. Deixo uma pequena porção no altar seja ele fixo ou temporário e o restante é dividido entre amigos e parentes. 
Essas são apenas algumas sugestões do conjunto de coisas que fazem parte dos meus hábitos comuns. Acredito que cada um tenha os seus próprios rituais, e quando feitos respeitando os preceitos básicos de etiqueta e com toda a honestidade para  com os deuses, não há erro, e Eles ficarão agraedecidos de suas ofertas.. 

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Ritual de Consagração de uma Imagem para Culto



Então você conseguiu uma imagem pra colocar no seu altar?! Ótimo. Mas precisamos saber que uma imgem por si não é uma imagem de culto. O que diferencia uma representação dos deuses de uma imagem de culto é o status de consagração que lhe conferimos por meio de rituais específicos. Na antiguidade haviam rituais específicos para isso. Alguns mais simples, outros mais sigilosos e escabrosos, mas cada um com seu sentido e adequado às necessidades dos povos  que as utilizava. Exemplo: em algusn tiásoi da Beócia, onde Dioniso era cultuado, as imagens eram feitas em lenho de figueira e consagrado com sangue do bode que lhe era oferecido em sacrifício.
Certamento por um motivo ou dois nos dias de hoje isso não é tão viável ou coerente com as leis e princípios ambientais. Felizmente tenho por recurso a analogia, e podemos trocar os símbolos do ritual, lhe preservando o simbolismo, que é mais importante.

A seguir sugerimos um ritual bem simples para consagração de uma imagem pra culto.

Observações Prévias:

1 - A imagem deve estar totalmente pronta e limpa antes da cerimônia; sendo assim se for pintada já deve estar pintado, com o seu nome e eventualmente roupa e/ou acesórios (devidamente consagrados também).

2 - Como em todo ritual a ortopraxia exige a purificação e o uso de roupas limpas. A purificação pode ser feita com banhos de ervas, fonte ou mar.

O Ritual:

- Acenda a vela e a consagre recitanto o Hino Homérico a Héstia

- Consagre o espaço com água lustral: pegue um ramo  de louro ou arruda, queime na chama e com ele aspergir a água no espaço da celebração.

- Acenda o incenso

- Recite um Hino ao Deus a quem a imagem é dedicada

- A seguir a imagem pode ser untada com um óleo aromático dedicado a esse deus (amêndoas para Zeus, azeite para Athena, Rosas para Afrodite e assim por diante; caso não consiga elaborar uma relação para o deus em questão, pode-se usar o azeite mesmo).

- Faça a consagração da imagem por meio de uma declaração. Exemplo de consagração de uma imagem à Athena: " Oh Tu Ergane, de olhos verde-mar, conduzindo os heróis, Sempre amiga dos homens fortes e virtuosos. Eu que sempre canto teu nome e te ofereço líquidos e ofertas vem até mim. Isto é para Ti e em tua homenagem, deus de Olhos Terríveis, Filha do Zeus Porta-Égide. Oh Athena, preenche este ambiente com tua presença!"

- Verta uma libação, queime ofertas e faça preces, à sua vontade.

- Faça uma prece e libação final e encerre o ritual como de costume.



Obs.:

1 - A imagem de ilustração faz parte da celebração da Thargelia no YSEE
2 - O ritual pode ser adaptado pra consagração de outros objetos de culto,como cadernos de registro, utensílios de ritual e oráculos.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Delphinia

Realização: 4/ Mounikhion

Motivo: Comemoração à volta de Teseu, e para pedir proteção à Apollo como deus do Mar, Apollon Delphinio com procissão com ramos de louro envoltos com lã

Purificação

Pompê (caminhada até o local onde o rito será realizado)

Acenda a chama de vela, tocha ou fogueira.

Libação à Héstia
Héstia, tu que cuidas da Sagrada Casa do Senhor Apollo
O que atira ao longe, ao bondoso Pytho
Com suave óleo escorrendo de suas madeixas,
Venha agora a essa casa
Tendo uma só mente com Zeus, o Onisciente
Venha para perto e sobretudo
Conceda suas graças sobre minha canção
(verter o vinho sobre a chama, ao solo , ou mar)

Libação à Apollon
Febo, do arco prateado, que atiras ao longe,
A Ti, que junto às Musas de braços rosados, animas os banquetes dos deuses
E é a Ti, a quem o menestrel de mãos hábeis e voz doce
Canta tanto primeiro quanto por último
Péan, ó! Delphinios, que conduzes em luz e som
os homens pelos mares de Delfos;
Tu, Febo Apollo, Reluzente entre os filhos de Zeus, o Kronida
É por isso que eu digo também
- Salve à ti, Febo Senhor de Delfos!
(verter o líquido sobre a chama, solo ou mar)

Oferta
Febo, a ti esta oferta como presente em devoção e agradecimento por tudo aqilo quanto Tu, Péan., nos oferece.
(entregar a oferta; sugestões: babosa, olíbano, pequenos barcos, golfinhos , velas )

Libação à Teseu
Teseu, de braços fortes,
Astuto, filho do divino Basileu, abalador da Terra
A ti nós agradecemos, Ó! , virtuoso,
Pois é graças a Ti, que os pais têm de volta à sua casa os filhos
Grande entre os mortais, e valoroso entre os Bem- Aventurados
Nós te honramos em nossa canção.
(verter o líquido sobre a chama, solo ou mar; sugere-se também uma oferta. Sugestões: fio de lã dourada, barquinhos, cabelos)

Encerramento
Saúdo os Eternos deuses de nossos pais
Reiterando minha devoção e fé ao Sagrado Panteão
Para que todos os pensamentos que compartilhamos hoje
Sejam enviados e reconhecidos através da terra
Assim seja.